A outra

Meu avô era um senhor devoto à esposa. Todos os dias, depois do trabalho, trazia flores ou alguma lembranca à minha avó – bem como tratava de arrumar algum presente, caso algum dos netos estivesse em casa.
Depois meses após a morte de minha avó, vovô começou a namorar outra pessoa. Estava com doze anos. Não conseguia entender como mais de 25 anos de amor, podiam ser esquecidos e deixados para trás desse jeito.
Procurei abrigo do outro lado da família. Foi então que uma tia – muito sábia na teoria – disse algo que me lembro até hoje: “A gente nunca fica com raiva com eles. Guarda toda a raiva pra outra”. Só hoje consigo compreender.

A atitude mais dolorida que alguém pode tomar é se afastar de um amigo, porque é isso que ele quer. Abrir mão da compania de alguém que se gosta, porque a namorada do outro não gosta “da gente”.

E “a gente” guarda toda a raiva pra outra.

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