Sobre-nada e sobre-tudo

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São onze horas da noite, a rua está vazia e ele espera o ônibus. Está frio e vai começar a garoar logo menos. O dia foi pesado na agência. Briefings mal feitos, clientes pentelhos, chefe abusivo. E pensar que amanhã tem mais…

Acende um cigarro e traga lentamente, observando o que acontece ao redor. Uma senhora pede esmolas enquanto um menino faz malabares com limões no farol. O cara da Pajero fecha os vidros, como quem fecha os olhos para o mundo. Por sua vez, ele fecha os olhos e traga mais uma vez. Abre a mochila e pega os fones de ouvido. Dá play em qualquer música e liga o aleatório. Fecha e coloca a mochila nas costas novamente.

O som está alto e, no fundo da música parece que algo o chama. Não deve ser nada, pensa. Poucos segundos depois, sente um cutucão no seu ombro. Olha para o lado, meio que atordoado, e vê uma mulher do alto de seus 40 anos. Ela balbucia algumas palavras, mas ele não consegue entender. Tira os fones:

– … sabia?

– Desculpe, não escutei.

– Cigarro mata, sabia?

– Meu avô viveu até os 92 anos.

– E ele fumava?

– Não. Ele só não cuidava da vida dos outros.

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4 comentários sobre “Sobre-nada e sobre-tudo

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