Quem ama, encrenca

Lembro de chegar na casa da minha avó, pelos fundos, aos domingos. Quase sempre encontrava minha avó e meu avô discutindo na churrasqueira: “Faz assim”, “não mexe aqui”, “não me enche o saco!”.

Meu avô sempre arrumava alguma forma de me sacanear. Me prendia no porta-malas do carro, escondia minhas coisas ou fazia exatamente o que (ele sabia que) ia me irritar.

Lembro, também, da minha avó materna encrencando com a gata, Babi: “Essa gata sempre deixa sujeira aqui”. E com a cachorra, Chuli: “Um dia você vai chegar aqui e encontrar essa cachorra igual linguiça, pendurada no varal”, dizia. Ou com o marido, meu avô: “Quando eu morrer, você vai encontrar uma mulher bem pior que eu!”

Tanto ela quanto meu avô se foram cedo. As lembranças ficaram. A lição também: quem ama, encrenca. Assim como eles, é esse meu jeito de amar.

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